A Salsa: Gosto e Saúde
Um pouco de história…
Na Grécia, a salsa era dedicada a Perséfona, a esposa de Hades e rainha do mundo subterrâneo, sendo as sepulturas decoradas com coroas de salsa. Os vencedores dos jogos Nemeanos ou Ístmicos – que substituíram os anteriores jogos fúnebres onde se comemorava a morte de personagens importantes – eram igualmente homenageados com coroas de salsa, conforme nos canta o poeta grego Anacreon. O célebre médico Galeno diz ter copiado do templo de Asclépio (o deus grego da medicina), na ilha de Cós, uma fórmula antiga atribuída a Hipócrates que era composta por salsa, tomilho, funcho e anis, plantas que eram depois reduzidas a pó e misturadas com o vinho. Quando se referiam a alguém que estava a morrer, os gregos costumavam usar a frase “estar a precisar de salsa”.
Na Roma antiga, usava-se a salsa para dar sabor aos alimentos e decorar os pratos. Os Romanos punham-na a volta do pescoço durante os banquetes pois julgava-se que absorvia os vapores do vinho. Colocavam-na também nos pratos para proteger a comida de possível contaminação e porque acreditavam que evitavam as intoxicações. Usavam-na ainda para purificar o banho e afastar o infortúnio. Os romanos foram o primeiro povo a consumir a salsa em larga escala.
Na Idade-Média, acreditava-se que a salsa era uma das plantas que cresciam no jardim das bruxas e que as suas sementes iam e vinham nove vezes ao diabo antes de germinarem. Esta crença tem a sua origem na Grécia antiga, onde as pessoas acreditavam que as sementes de salsa visitavam o mundo subterrâneo antes de despontarem. Acreditava-se ainda que se podia matar uma pessoa apanhando um pé de salsa e pronunciando ao mesmo tempo o nome dessa pessoa. Segundo Santa Hildegarda de Bingen, que viveu no século XII, o vinho de resina à base de salsa estimula a circulação sanguínea.
A salsa foi levada para o Novo Mundo no século XVII, onde se tornou uma das ervas aromáticas mais utilizadas na culinária.
Utilidade terapêutica
O nome latino petroselinum deriva da palavra grega petra, que significa pedra ou rocha, e selinon que designa as plantas umbelíferas próximas do aipo como a salsa propriamente dita, mas é possível que o nome invoque a utilização medicinal da planta contra os cálculos (petra=pedra) dos rins ou da vesícula.
Devido a sua riqueza em vitaminas e sais minerais e presença de apoil e miristicina na sua composição, a salsa tem propriedades anti-inflamatórias, digestivas e diuréticas que a recomendam para o alívio de várias perturbações. Alivia o mau hálito e promove o enriquecimento da pele. Com uso moderado, é indicada no tratamento de inflamações das vias urinárias, cálculos renais, retenção de líquidos e distúrbios menstruais. Na cozinha, utiliza-se geralmente a salsa fresca a acabada de picar, rica em vitamina C, uma colher de sopa de salsa cobre dois terços das nossas necessidades diárias desta vitamina. A salsa contém ainda as vitaminas A e B, assim como inúmeros sais minerais e oligo-elementos: potássio, cálcio, fósforo, ferro e magnésio. É este último aliás que estimula a função depurativa do fígado.
Por outras palavras…
Para o uso externo tem uma ação calmante perante a dor e reduz o processo inflamatório. Utilizada na forma de cataplasmas, aplica-se com grande êxito para tratamentos de úlceras da pele, chagas rebeldes, ferimentos ligeiros ou pancadas e contusões. Quando picados por insetos, é suficiente esmagar várias folhas para formar uma pasta e aplica-la sobre a zona picada. O alívio é quase instantâneo!
Quanto ao seu uso interno, pode ser usado o sumo da planta fresca e a infusão, que estão indicados nos edemas, no tratamento da celulite, na anemia, na insuficiência cardíaca e renal e nas dismenorreias.
A salsa exerce uma ação muito benéfica sobre o aparelho digestivo, atuando sobre as flatulências e outros sintomas semelhantes. É um tónico geral que estimula o apetite e facilita a digestão. É depurativa e desinfetante do tubo digestivo e das vias urinárias e, sob a forma de infusão, tem um efeito diurético e favorece a eliminação de pequenos cálculos renais. Alias, enquanto planta medicinal, a salsa é usada sobretudo para estimular a função renal, mas a tradição popular aconselha-a também para regularizar o ciclo menstrual, devido às suas propriedades estrogénicas, que derivam do seu conteúdo rico em apiol, óleo essencial com ação regularizadora das menstruações. Como a salsa tem uma ação estimulante sobre o útero, é preferível que o seu consumo seja moderado durante a gravidez, pois pode predispor ao aborto quando ingerida em grandes quantidades. Depois do parto, em contrapartida, a salsa favorece a retração do útero, mas pode impedir a subida do leite.
Algumas experiências que tive…
Grande parte das experiências que tive com a salsa foram de natureza culinária devido às suas propriedades aromáticas. O aroma é mais importante que o paladar no que toca ao sabor da comida. Sabendo que o aroma está relacionado com a estrutura molecular dos alimentos, parti do princípio que se juntarmos alimentos cuja estrutura molecular seja semelhantes, o resultado pode ser bom.
Combinei portanto salsa e banana e fiz um batido com os seguintes ingredientes: 2 Iogurtes de soja, 1 Colher de sopa de mel, 1 Banana grande, Pasta de salsa a gosto. Resultou uma bebida espessa em qual os sabores da salsa e da banana não se percebem imediatamente mas cuja junção é bastante agradável! Se querem experimentar, pode ser um bom constituinte do pequeno-almoço.
Um outro experimento derivou de uma pequena curiosidade que indica a salsa como sendo um elemento que refresca o hálito. Decidi então analisar a validade desta afirmação. O experimento demorou 3 dias. Escolhi o alho como “poluidor” do hálito dado a seu aroma e gosto intensos. O desenvolvimento da experiencia foi então o seguinte:
1º Dia: Antes de ir para a cama descasquei e comi um dente de alho. Depois bebi um copo com água e mastiguei três pastinhas elásticas (das mais fortes) durante meia hora e fui dormir. No dia a seguir de manha o cheiro a alho tinha perdido muito pouco da sua intensidade e mesmo depois de lavar os dentes de manha o cheiro persistia.
2º Dia: Segui o mesmo protocolo só que desta vez lavei a boca com aguardente (sem ingerir) e depois os dentes durante 10 minutos. De manha o cheiro a alho tinha desaparecido parcialmente e só desapareceu por completo depois de tomar o pequeno-almoço.
3º Dia: Continuando com a mesma rotina do alho, depois de beber um copo com água, mastiguei e ingeri duas colheres de sopa de salsa fresca picada (caule e folhas). No dia seguinte o hálito tinha um cheiro quase neutro. Notava-se ainda um pouco o alho, mas nada comparado com os dias anteriores. Depois de ter lavado os dentes o cheiro tinha desaparecido por completo.
E por fim, decidi de me sacrificar pela investigação empírica, dedicando o meu terceiro experimento às propriedades anti-inflamatórias da salsa! Com a chegada do calor decidi testar essas propriedades “na minha pele” sacrificando uma noite de sono tranquilo pela ciência da medicina natural. Começando pelo fim da tarde, abri todas as janelas de casa e acendi todas as luzes, convidando os mosquitos para participar no decorrer da experiência… Antes de apagar as luzes preparei uma cataplasma de salsa e misturei com algumas gotas de óleo de hortelã e guardei num recipiente tapado. Na manha seguinte tinha sido mordido menos do que pensava apesar de ter sido sobrevoado a noite toda. Deitei então nas 2 mordidelas que tinha a cataplasma preparada anteriormente. O resultado foi rápido, a comichão que normalmente se sente nas mordidelas de mosquitos era quase nula, o alivio sendo imediato. E ainda muito melhor, na noite seguinte, depois de repetir a aplicação da cataplasma, os mosquitos deixaram de se aproximar.
Uma receita como prenda …
Porque tiveram curiosidade e paciência de ler até aqui, partilhando comigo a paixão para salsa, irei descrever uma receita própria (acho eu) que tem como um dos ingredientes principais a salsa. É uma receita muito simples e rápida que só requer os seguintes ingredientes:
Para uma pessoa
1 Dourada fresca (limpa)
Salsa (bastante)
Alho (bastante)
1 Limão
Azeite
Sal e pimenta preta ao gosto
Preparação: Pica-se a salsa e o alho e misturam-se. A seguir corta-se o limão as rodelas.
Recheia-se o peixe com a mistura de alho e salsa e com uma rodela de limão e tempera-se com o sal e a pimenta preta. Coloca-se depois numa travessa e banha-se com um pouco de azeite. O resto das rodelas de limão coloca-se por cima do peixe e leva-se ao forno durante aproximadamente trinta minutos. Como acompanhamento podem ser servidas batatas cozidas ou legumes.
Bom apetite e até a próxima!
Andrei Mitroi
Referências
“Viva Melhor Com as Plantas Medicinais” – Dr. António Leal Chaves
http://www.dulcerodrigues.info
http://pt.wikipedia.org/wiki/Salsa_(planta)
http://www.gforum.tv/board/623/79328/salsa.html
http://www.casaspedro.com.br/Plantaservas.html



